Testamento – Para minha filha Beatriz

Quando você tiver aprendido a ler, muitos anos já terão se passado, serei mais velho do que sou agora e espero que eu seja na proporção da minha idade mais sábio também.

Desejo humildemente que no seu presente me seja permitido simplesmente ter tempo para me sentar ao seu lado e dizer o que vim fazer na terra, e contar a história dos que te antecederam.

Pode ser que quando puder ler esta, eu já tenha desencarnado e voltado para os braços de minha mãe.

Se assim for, estas páginas, sua irmã e talvez alguns que se lembrem de mim, lhe dirão quem eu fui, o que acreditei e o que deixei juntamente com meus amigos a você e a sua geração. Ensinei à sua irmã que a tradição da falange a qual pertencemos preza a liberdade o amor e a caridade.

Quisera o destino que o homem que aprendeu os caminhos e desígnios da vida através do nome e dos oráculos não tivesse a oportunidade de acompanhar seu crescimento na barriga de sua mãe, sua chegada a terra, nem mesmo te segurar nos braços em suas primeiras respirações e sacramentar teu nome.

Mas aquilo que poderia ser uma tragédia se torna uma oportunidade ainda maior e mágica de selar nosso amor e compromisso.

O que é dito aqui torna ainda mais forte os laços que nos une e que devem unir um pai a seu filho.

Certo tempo ouvi do Caboclo Tupinambá, um grande sábio protetor e orientador de nossa família, que a razão pela qual temos filhos, era para atestar a existência de Deus e entender como ele age e sofre com nossas escolhas e aprendizado.

Tempos em tempos, Deus manda a terra grandes pais que deixam legado de amor, fé e esperança a seus filhos, e um deles foi Jesus há mais de 2 mil anos.

Ele em sua infinita bondade deixou a seus filhos que posteriormente se chamaram de cristãos, uma oração que se tornou conhecida como “Pai Nosso” e é usada por muitos até os dias de hoje.

Em 2008, quando intuí pela primeira vez sua chegada, vi a imagem de um batismo onde eu apresentava uma criança no centro do templo a uma grande orbe de espíritos superiores de todas as linhas espirituais.

Diante deles eu segurava a criança e dizia:

“Eu venho em paz,

estou aqui por amor e por minha escolha

Venho em meu nome

E em nome  dos meus ancestrais

Trazido pelas mãos daquele que guia o Universo

Peço permissão para entrar

Peço permissão para orar

Peço permissão para pegar sua mão

Para que juntos possamos vibrar por todos aqueles que sofrem

Choram, erram e caem por ignorar

A força do bom coração

Do bom pensamento

E da união fraterna”

É com essa oração que hoje abrimos nossos trabalhos no hospital Cura Amor e Fé (Cecure).

Toda vez que ela for lida celebrará dois grandes momentos da vida espiritual: daquele que chega à Terra para nova oportunidade através do nascimento e daquele que tendo errado recebe a oportunidade de renascer em vida.

Que esta oração te desperte fortaleça e guie por toda sua vida…

 Que assim seja

 Seu Pai

20/02/2012

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Legado – Aos que vem depois de mim…

Nossa vida encarnada pode ser comparada a de um rio e nossas breves vidas com o movimento que o faz seguir seu curso natural, cada gota d’água é uma vida em todo seu esplendor, do primeiro ao último suspiro, que guarda memórias de uma passagem que se construiu de sonhos, fantasias, felicidades, angústias, paixões, trabalho e tudo que chamamos existência. No meu pedaço de movimento que se faz agora e da perspectiva que vejo o mundo, ou seja, das respostas que vivi e que delas só me cabe transmitir e legar aos que virão. Digo que as guerras no caminho não são feitas de lutas contra forças externas, mas no âmago de nós mesmos, na escuridão do nosso ser. Nestes dias de luta, será necessário fazer escolhas e então dois caminhos se abrirão: um mais seguro que já foi feito por alguém que veio antes de nós e outro, mais arriscado, incerto e que ninguém jamais tenha feito ou que não haja precedentes.  Espero que do tempo do futuro de onde agora vê a gota que um dia eu fui e se por contingências da existência tenha que escolher entre os caminhos da segurança ou da incerteza, lhe sirva este ditado africano que diz: “quando não sabemos aonde vamos é bom ver de onde viemos”. Cresci ouvindo histórias de heróis, homens e mulheres que se caracterizavam por aceitar a morte como passagem, que abandonavam a segurança presente e aceitavam a incerteza do futuro, que sabiam ser responsáveis pela própria dor, suportavam a autorevelação e ao autosacrifício e, mais do que tudo, sabiam que é preciso renovar diariamente o compromisso com a vida. Homens e mulheres que preferiam morrer a viver uma vida sem brilho, sem amor e sem liberdade. Se estiverem lendo esta mensagem agora, significa que consegui pagar minha dívida com o passado e com o futuro. Terei enfim honrado meus ancestrais e legado aos meus descendentes a tradição que viveu em mim e que espero que esteja viva neles quando eu for história. Digo que recebi em vida a maior dádiva que um ser humano pode receber. Ser pai. Nesta condição me tornei imortal, enganei a morte. Reinventar-me-ei em todos os instantes em que um descendente meu suspirar, andar, amar ou sofrer. Serei um eterno experimentador da vida. Como agradecimento pela minha imortalidade, deixo agora a você, que está no futuro, a chance de ser experimentador da vida do passado através do meu testamento.

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